|
Artigos
| 1 registros encontrados. (Página 1 de 1) |
| POSIÇÃO PRONA (Decúbito ventral) |
| Daniela Cristina Lago Miranda - Fisioterapeuta |
Ver notícias... |
Outros artigos
EFEITOS DA ASPIRAÇÃO DE VIAS AÉREAS NO
COMPORTAMENTO DE PREMATUROS SUBMETIDOS Á VENTILAÇÃO MECÂNICA
PUBLICADO EM 24 DE JULHO DE 2006
Ariana de Sena Pinheiro -
arianapinheiro@yahoo.com.br
- Graduanda em Fisioterapia pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR)
e Fabiane Elpídio de Sá - Fisioterapeuta, docente da Universidade de
Fortaleza (UNIFOR)
RESUMO
O presente estudo versa sobre os efeitos da
aspiração de vias aéreas no estado comportamental de prematuros.
Realizamos um estudo transversalmente com 30 bebês entubados sob
ventilação mecânica e internados na Unidade de Terapia Intensiva
Neonatal do Hospital Geral Dr. César Cals, no período de fevereiro a
abril de 2005. Os recém-nascidos foram observados durante o
procedimento de aspiração realizado pela equipe de fisioterapia e
enfermagem, sendo verificados conseqüências da aspiração em relação
aos sinais de choro, fácies, postura, estado de consciência,
freqüência respiratória, freqüência cardíaca, coloração da pele,
movimentos gastrointestinais, saturação de O2 e se houve algum
cuidado assistencial durante a aspiração. Nos prematuros entubados e
ventilados detectamos através da observação, que 91% dos bebês
estavam internados com diagnóstico de Síndrome do Desconforto
Respiratório; 40% possuíam idade gestacional entre 23 a 30 semanas;
53% dos prematuros apresentaram sinais de choro durante a realização
do procedimento; 63% demonstraram fáscie de dor durante a aspiração;
44% tiveram agitação e todos apresentaram alterações fisiológicas,
como sinal ao estresse sofrido, seja por alteração na freqüência
cardíaca, respiratória, coloração da pele, movimentos
gastrointestinais ou alteração na saturação de oxigênio; apenas 30%
dos profissionais envolvidos na realização do procedimento tiveram
algum cuidado para minimizar os efeitos negativos da aspiração de
vias aéreas. Através desse estudo podemos verificar que o
procedimento de aspiração acarreta não apenas alterações
fisiológicas, mas, também neurocomportamentais que poderão trazer
conseqüências danosas para o recém-nascido prematuro e que, os
profissionais inseridos no cotidiano da unidade devem firmar o
compromisso de reduzir os agravos que a aspiração poderá oferecer ao
recém-nascido prematuro em seu desenvolvimento neuropsicomotor.
Palavras–Chave: Aspiração, Prematuros e Desenvolvimento
Neuropsicomotor
INTRODUÇÃO
Os avanços no cuidado perinatal nas últimas
décadas têm sido responsáveis pela diminuição significativa dos
índices de mortalidade perinatal e neonatal, e com o aumento da
sobrevida dos recém-nascidos de alto risco. Mas um grande número
destas crianças apresentará deficiências múltiplas, como
respiratórias, motoras, visuais, auditivas, do aprendizado e outras.
Em função do grande número de prematuros e de
como a condução terapêutica dessa fase inicial da vida pode
influenciar na qualidade de vida desses bebês, foi despertado o
interesse em identificar os efeitos da aspiração oro-naso
endotraqueal no estado comportamental de prematuros submetidos à
ventilação mecânica, inclusive verificar determinadas medidas
assistenciais para minimizar alterações físicas e comportamentais de
bebês prematuros.
Em bebês submetidos à ventilação pulmonar
mecânica (VPM), a aspiração de secreções intratraqueais para
manutenção da permeabilidade da cânula tornou-se uma rotina dentro
das unidades de cuidados intensivos neonatais devido ao risco de
obstrução por rolha de secreções (14).
A aspiração de secreções intratraqueal é
responsável por sérias complicações como: arritmias, laringoespasmos,
traumatismos da mucosa traqueal, microatelectasias, hipoxemia,
insaturação de oxigênio, bradicardias, hipertensão arterial, aumento
da pressão intracraniana, infecções, ansiedade, alterações na
pressão parcial de gás carbônico, cianose, broncoconstricção e
parada cardíaca (9).
O nascimento prematuro é uma condição que envolve
bebês que nascem com menos de 37 semanas gestacionais, a contar do
primeiro dia da última menstruação da mãe, sendo classificada de
acordo com critério temporal, com base no peso ao nascer e de acordo
com a adequação do peso de nascimento à idade gestacional (10).
Anualmente nasce no mundo cerca de 20 milhões de
bebês prematuros e com baixo peso, dos quais um terço morre antes de
completar um ano de vida. Cerca de nove em cada dez recém-nascidos
são de muitíssimo baixo peso ao nascer (2).
Esses prematuros são susceptíveis às alterações
do meio ambiente, sobretudo pela imaturidade do sistema nervoso
central que sofre pelos efeitos do estresse.
O estresse é um fator físico, químico ou
emocional que causa tensão corporal ou mental e pode ser um fator na
origem da doença (14).
As respostas fetais do estresse à procedimentos
invasivos são encontradas por volta da 23ª semana de idade
gestacional e na 24ª semana de idade gestacional todas as estruturas
neurológicas necessárias para a nocicepção estão desenvolvidas. As
situações de estresse em crianças prematuras induzem a um aumento na
freqüência cardíaca, e na pressão sanguínea, queda na saturação de
oxigênio, aumento na pressão intracraniana, o que pode causar
hemorragia intraventricular (10).
Portanto, o recém-nascido prematuro da Unidade de
Terapia Intensiva Neonatal encontrará um ambiente extremamente
diferente daquele onde se encontrava. O bebê passa a ser
excessivamente manuseado tanto para cuidados de rotina, quanto para
procedimentos intrusivos e até dolorosos, muitas vezes sem cuidado
adequado para a diminuição do estresse e da dor. Esse manuseio
geralmente é imprescindível, podendo ocorrer a qualquer hora de
acordo com as necessidades da equipe de saúde.
Durante o período em que o prematuro passa na UTI
Neonatal, estará ocorrendo um crescimento cerebral. Esse crescimento
se dará principalmente pela multiplicação das células gliais e pelas
inúmeras conexões neurais, uma vez que, com 20 semanas, já ocorreu a
maior parte do processo de proliferação e migração neuronal, e a
maior parte dos neurônios já se encontra em seu local definitivo no
córtex cerebral (2).
Os fatores que dificultam os estados
comportamentais são: Idade gestacional inferior a 37 semanas devido
à imaturação do SNC, medicamentos, icterícia e fototerapia durante e
após alguns dias, aumento da temperatura e piora clínica (14).
O cuidador deverá conhecer essas alterações
durante o procedimento de aspiração em bebês entubados, para poder
minimizar ou evitar conseqüências danosas ao estado físico,
comportamental e emocional desses recém-nascidos criticamente
doentes, influenciando na sobrevivência deles com melhor qualidade
de vida.
MÉTODO
Trata-se de uma abordagem quantitativa, do tipo
transversal e observacional. A amostra foi constituída por 30
recém-nascidos prematuros com idade gestacional entre 28 e 37
semanas da Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Geral Dr. César
Cals, excelência na qualidade prestada no atendimento ao
recém-nascido de risco e tendo caráter terciário da rede pública do
Estado do Ceará, situado em Fortaleza. Como critério de exclusão os
recém-nascidos a termo, pós-termo da unidade de tratamento intensivo
(UTI) neonatal, prematuros que não estejam em ventilação mecânica,
em coma e má-formação do tipo: anencefalia, hidroanencefalia,
agenesia de corpo caloso, dentre outras.
Inicialmente foi desenvolvido um projeto de
pesquisa sendo apreciado no Comitê de Ética do referido hospital,
após a apreciação e liberação iniciamos a pesquisa no período de
março a abril de 2005, e seguiu conforme as normas da Resolução
n.º196/96 do Conselho Nacional de Saúde – pesquisa envolvendo seres
humanos (BRASIL, 1996) (1).
Os responsáveis pelos recém-nascidos foram
orientados quanto ao desenvolvimento da pesquisa e solicitados a
assinarem o termo de consentimento livre e esclarecido. Todos os
preceitos éticos foram respeitados.
Os bebês submetidos à ventilação mecânica foram
avaliados pela pesquisadora durante a aspiração oro-naso e
endotraqueal através de uma ficha de avaliação
A amostra foi caracterizada através dos seguintes
aspectos: idade gestacional, apgar, diagnóstico, sexo. Para obtenção
dos dados da pesquisa serão identificadas as variáveis a seguir:
Comportamento (choro, fácies, postura e estado de consciência),
parâmetros fisiológicos (respiração, freqüência cardíaca, coloração
da pele, saturação de oxigênio e movimentos gastrintestinais) e,
sobretudo em relação aos cuidados assistenciais durante o
procedimento.
Os dados coletados foram quantificados e
analisados através de testes paramétricos, sendo colocados
posteriormente em gráficos e tabelas pelo programa Microsoft Excel.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A aspiração endotraqueal vem sendo utilizada em
pacientes hipersecretivos impossibilitados de eliminar as secreções
brônquicas de forma não invasiva. Consiste na sucção de secreção por
sonda previamente escolhida pelo terapeuta, introduzida na via aérea
fisiológica ou artificial (12).
Em unidades de terapia intensiva onde os
pacientes apresentam níveis de gravidade variáveis, e a prevalência
de condições limitantes à função respiratória faz-se visivelmente
presente, a aspiração de vias aéreas é considerada como procedimento
eleito freqüentemente nas intervenções terapêuticas (13).
A população estudada foi de 30 bebês, dos quais
16 (53%) eram do sexo feminino e 14 (47%) do sexo masculino, como
mostra o gráfico 1.
O gráfico 2 mostra o diagnóstico pelos quais os
prematuros permaneceram em Ventilação Mecânica, dos quais 91% eram
por SDR, 3% por Pneumonia, 3% por Hidrocefalia e 3% por possuírem má
formação congênita.
De acordo com o gráfico 3, a idade gestacional
dos bebês avaliados foram, 40% (12) possuíam entre 23 e 30s, 27% (8)
tinham entre 30s e 1d a 32s, 23% (7) possuíam 32s e 1d a 34s e 10%
(3) tinham entre 34s e 1d a 37s.
De acordo com a tabela 1, que
demonstra o índice de APGAR no primeiro minuto de vida, 20% dos
recém-nascidos apresentaram variação entre 0 a 3; 46% entre 3 a 6;
30% variação de APGAR entre 6 a 10, enquanto apenas 4% não foi
informado pois o bebê nasceu na ambulância.
Conforme a tabela 2 que refere o índice de APGAR
no quinto minuto de vida, 20% dos recém-nascidos apresentaram APGAR
variando entre 0 a 3; 76% entre 3 a 6 e 4% não foi informado.
Em relação ao procedimento de aspiração, 53% dos
bebês não apresentaram sinais de choro e 47% apresentaram, conforme
o gráfico 5.
Desde o nascimento, as crianças expressam as suas
necessidades físicas e emocionais através de seu comportamento, como
o choro, a expressão facial e o movimento corporal. A resposta
comportamental a um estímulo nociceptivo reflete a totalidade da
experiência dolorosa, incluindo os aspectos sensoriais e emocionais
intrínsecos à dor, além de diferenças individuais na expressão (6).
Sabe-se atualmente, que o recém-nascido apresenta
todos os componentes anatômicos, funcionais e neuroquímicos
necessários para a recepção, transmissão e integração do estímulo
doloroso, ou seja, para a nocicepção (7). No nosso estudo podemos
observar que 63% dos bebês apresentaram fáscie de dor, 23%
apresentaram uma fáscie de tranqüilidade e 14% de desligamento
durante a realização do procedimento, como mostra o gráfico 6.
O número de bebês que tiveram postura flexora foi
de 30%, 26% apresentaram uma postura extensora e 44% dos bebês
demonstraram agitação, conforme o gráfico 7.
Das ocorrências observadas em
nosso estudo, a mais freqüente foi agitação, com 44%. Grossi e
Santos (8) afirmam que a realização do método de aspiração em
pacientes conscientes é de extrema dificuldade e ainda alega que,
por ser uma técnica desconfortável, esta promove agitação podendo
desencadear broncoespasmo, 30% (9) permaneceram sonolentos, olhos
abrindo e fechando, 50% (15) permaneceram acordados com movimentos
vigorosos e 20% (6) mantiveram-se acordados com movimentos mínimos,
como mostra o gráfico 8. Carrol (4) observou que o paciente corre o
risco da estimulação traqueal provocar o aumento da atividade
simpática, resultando em taquicardia. Grossi e Santos (8)
verificaram que a bradicardia pode ocorrer oferecendo risco ao
paciente durante a técnica de aspiração traqueal. Isto pode ser
explicado pela estimulação dos nervos parassimpáticos do coração (os
nervos vagos) que faz com que o hormônio acetilcolina seja liberado
pelas terminações vagais.
O gráfico 9 mostra que, 93% tiveram alteração
respiratória, das quais 56% eram do tipo taquipnéia e 37% bradipnéia.
100% apresentaram alteração na freqüência cardíaca, onde 23% tiveram
freqüência menor que 90bpm, 40% entre 160 e 161bpm e 37% acima de
161bpm. 80% dos bebês tiveram alteração na coloração da pele, das
quais 23% apresentaram-se pálidas, 34% cianóticas e 23% com
mosqueamento. 23% dos prematuros tiveram alteração nos movimentos
gastrintestinais, das quais 19% tiveram evacuação durante a
aspiração e 4% regurgitação.
Das intercorrências, a hipoxemia tem sido
apontada como uma das mais sérias pela maioria dos investigadores
(8). Esta se dá ao realizar a sucção das secreções, pois neste
momento, aspira-se também o ar de dentro dos pulmões (4). Segundo
Grossi (8) e Potter e Perey (11), durante a aspiração traqueal,
ocorre quedas abruptas da PaO2, o que leva ao comprometimento das
funções celulares, desencadeando arritmias cardíacas, parada
cardiorespiratória e a morte do paciente. Em nosso estudo, apesar da
ocorrência de queda de SatO2 em 21 pacientes durante o procedimento,
as demais conseqüências deste evento não foram observadas. Costa et
al (5) ressaltam que para realizar uma aspiração endotraqueal
segura, é preciso oxigenar o paciente antes, durante e após o
procedimento invasivo, evitando assim a hipoxemia e conseqüentemente
a arritmia cardíaca. O suporte de oxigênio deve ser indicado
individualmente para cada paciente (5).
Devido à elevada e freqüente incidência e aos
riscos a que essas crianças estão sujeitas em sua adaptação à vida
extra-uterina e em seu processo de crescimento e desenvolvimento,
elas necessitam de atenção diferenciada dos profissionais de saúde,
que podem lhes oferecer uma assistência mais integral, visando à
qualidade de vida do bebê (3).
O tratamento da dor do recém-nascido inicia-se
pela chamada humanização dos berçários, com a redução do nível de
ruído e de luz e com a adoção dos protocolos de intervenção mínima,
passa pela abordagem não farmacológica da dor, com o uso, por
exemplo, da chupeta, e acaba na terapêutica farmacológica analgésica
ou anestésica (7). No nosso estudo observamos que 30% dos
profissionais envolvidos na realização de tal procedimento tiveram
algum tipo de cuidado assistencial durante o procedimento.
Pudemos observar que a maioria dos profissionais
(70%), não realizou nenhum tipo de cuidado assistencial para
minimizar o estresse sofrido. Dos que realizaram (30%), 10% fizeram
enrolamento, 13% solicitaram administração de analgésico e 16%
fizeram contenção facilitada, conforme o gráfico 10.
CONCLUSÃO
Através desse estudo podemos verificar que o
procedimento de aspiração acarreta não apenas alterações
fisiológicas, mas, também neurocomportamentais que poderão trazer
conseqüências danosas para o recém-nascido prematuro e que, os
profissionais inseridos no cotidiano da unidade devem firmar o
compromisso de reduzir os agravos que a aspiração poderá oferecer ao
recém-nascido prematuro em seu desenvolvimento neuropsicomotor.
A aspiração traqueal, quando bem indicada e
realizada adequadamente, é de grande valia para o tratamento de
pacientes hipersecretivos, que não conseguem expelir suas secreções
espontaneamente, causando-lhes alívio e conforto respiratório
pós-procedimento. Contudo medidas assistenciais como contenção
facilitada, enrolamento, sucção não-nutritiva e sedação são de
grande valia para procedimentos como aspiração de vias áreas em
pacientes submetidos à ventilação mecânica no intuito de evitar
complicações não apenas fisiológicas mas também neurocomportametal.
AGRADECIMENTOS
A Deus pelo dom da vida, aos meus pais por
acreditarem sempre no meu potencial, aos recém-nascidos da UTI
Neonatal do Hospital Geral Dr. César Cals sem eles não seria
possível a existência deste trabalho, a minha orientadora, Fabiane
Elpídio de Sá, pelo apoio constante, incentivo e confiança no meu
trabalho.
REFERÊNCIAS
1. BRASIL. Resolução CNS n.º 96, de 10 de outubro
de 1996. Aprova diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisa
envolvendo seres humanos. Diário Oficial da União, Brasília, DF, n
201, 16 out. 1996. Seção 1, p. 21082
2. BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. Atenção Humanizada ao recém-nascido
de baixo peso: método mãe-canguru, manual do curso. Brasília:
Ministério da Saúde; 2002.
3. CAETANO, Laise Conceição, FUNJINAGA, Cristina Ide, SCOCHI, Carmen
Gracinda Silvan. Sucção não nutritiva em bebês prematuros: estudo
bibliográfico. Rev. Latino-Am. Enfermagem [periódico online] 2003
[citado 2005 Abril 20]; 11(2): 232-236. Disponível em: http//www.scielo.br.
4. CARROL P.. Safe suctioning renstered nurse. Intensive an Critical
Care Nursing [periódico online] 1994 [citado 2005 Maio 15]; 3:
32-36. Disponível em: http//www.naaic.org.
5. COSTA D., JAMAMI M., PIRES V.A. Recursos mecânicos de
Fisioterapia Respiratória. In: Costa D., Fisioterapia Respiratória
Básica. 1ª. ed. São Paulo: Editora Atheneu; 1999. 109-111.
6. DIMERSTEIN, A., BRUNDI, M. M. El dolor em el recién nascido
prematuro. Revista Hospital Materno Infantil Ramón Sarda [periódico
online] 1998 [citado 2005 Abril 15]; 13(3): 97-192. Disponível em:
http//www.uff.br/nepae.
7. ESPINOSA, A. G, MENDONZA, A. R. Dolor em recién nascidos. Acta
Pediátrica do México [periódico online] 1997 [citado 2005 Abril 15];
18(2): 90-97. Disponível em: http//www.bireme.br.
8. GROSSI, Sônia Aurora Alves, SANTOS B.M.O. Prevenção da hipoxemia
durante a aspiração endotraqueal. Rev. Latino-Am. Enfermagem
[periódico Online] 1194 [citado 2005 Maio 20]; 2(6): 87-102.
Disponível em http://www.scielo.br/scielo.php.
9. HAMMON, W.E. Fisioterapia para o paciente em quadro agudo na
Unidade de Terapia Intensiva respiratória. In: Irwin S, Tecklin J.S.
Fisioterapia Cardiopulmonar. 2ª. ed. São Paulo: Editora Manole;
1994. 349-350.
10. MIURA, Ernani, PROCIANOY, Renato. Neonatologia: princípios e
prática. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas; 1997.
11. POTTER A.P, PEREY A.G. Oxigenação. In: Potter AP, Perey AG.
Fundamentos de Enfermagem. 4ª ed. Rio de Janeiro: Editora Guanabara/Koogan;
1999.
12. PRYOR, J. A.; WEBBBER, B. A.. Fisioterapia para problemas
respiratórios e cardíacos. 2ª. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan;
2002.
13. SCANLAN, C. L.; WILKINS, R. L.; STOLLER, J. K.. Fundamentos da
terapia respiratória de EGAN. 7ª. ed. Barueri- SP: Manole; 2000.
14. SOUZA, Elza Lúcia B.L. Fisioterapia aplicada à Obstetrícia e
aspectos de Neonatologia: uma visão multidisciplinar. 3ª ed. Belo
Horizonte: Health; 2000.
PNEUMATOCELE EM CRIANÇAS:
relato de caso
Carine Ferreira Moya Bono - e-mail:
carinemoya@yahoo.com.br
Fisioterapeuta, Graduada pelo Centro
Universitário São Camilo (UNISC) – São Paulo e Especialista em
Fisioterapia Intensiva pelo Hospital Santa Cruz.
Resumo
As pneumatoceles geralmente são seqüelas de
pneumonia bacteriana, onde o agente causador de maior incidência é o
Estafilococos aureus. Estas pneumatoceles são formações císticas,
onde em seu interior há presença de ar, não possuindo paredes
próprias e sendo circundadas por pleura visceral e parênquima
colabado. Elas podem evoluir de maneira rápida e ocupar um pulmão
inteiro, desaparecendo rapidamente por completo, sem deixar seqüelas
clínicas ou radiológicas. Em alguns casos pode haver, quando não
tratadas, ruptura da pleura visceral com pneumotórax e empiema
pleural. Essas complicações são graves e exigem cuidados especiais
do Pediatra e Fisioterapeuta.
Palavras-Chave: Pneumonia, Pneumatocele e Estafilococos
aureus.
Introdução
A pneumonia é uma inflamação do parênquima
pulmonar, causada por infecções das vias respiratórias inferiores,
comprometendo alvéolos, bronquíolos e espaço intersticial (5). A
infecção bacteriana que leva a pneumonia torna-se rapidamente
progressiva evoluindo com complicações.
A ocorrência de complicações varia conforme o
agente etiológico, no caso do Staphylococcus aureus (S. aureus), é
bem mais freqüente o aparecimento de derrame pleural (50%),
pneumatocele (30%), abscesso pulmonar (6%) e comprometimento da
pleura: pneumotórax, empiema ou piopneumotórax (3;12).
As pneumatoceles são cavidades cheias de ar, sem
paredes próprias, circundadas por pleura visceral e parênquima
colabado (8;9), podendo estar presentes no início ou no decorrer do
processo ou então aparecer evolutivamente, de maneira rápida. As
pneumatoceles podem tornar-se muito grandes e inclusive ocupar um
pulmão inteiro, desaparecendo espontaneamente por completo, em
média, após um a seis meses. Sua característica radiológica consiste
em mudanças súbitas de forma e tamanho em exames sucessivos.
Este artigo traz um relato de caso, levantamentos
bibliográficos, demonstrações da fisiopatologia, sua evolução e
possíveis complicações da pneumatocele.
Relato de caso
Paciente de 1 ano e 8 meses de idade, sexo
feminino, deu entrada no hospital com história de tosse produtiva
(secreção amarelada) e dispnéia há 1 semana. A mãe referiu que há 6
dias a criança apresentava saída de secreção purulenta dos dois
ouvidos, sendo então medicada com amoxacilina, também apresentava
quadros de febre (38ºC e 39ºC) diários. Com a piora do quadro, a mãe
procurou serviço médico, sendo orientada a utilizar sintomáticos.
Pela persistência do quadro, voltou a procurar o serviço médico,
onde utilizou despacilina (1 dose) e solbutamol. Não resolvendo o
quadro clínico, a mãe voltou ao serviço médico onde então foi
solicitada a internação. No primeiro dia de internação o exame
clínico era regular estado geral (REG), pálida, taquidispneica, com
ausculta pulmonar: murmúrio vesicular diminuído em base do hemitórax
direito e respirações soprosa e broncofonica. Feito raio-x de tórax
constatou-se Pneumonia, linha de Derrame Pleural e Pneumatocele em
hemitórax direito. Foi optado pelos médicos, punção de tórax em
linha axilar posterior com agulha, com saída de ar [mais ou menos 20
militros (ml)], sem saída de líquidos. LMMS fazia uso de
clorafenicol [100 miligrama (mg) por kilograma (kg) ao dia],
oxacilina (200mg/Kg/dia), cateter de oxigênio, inalação com soro
fisiológico, berotec e atrovent e começava com tratamento
fisioterapêutico (manobras de higiene brônquica associada à drenagem
postural e estimulo de fúrcula onde apresentava tosse produtiva com
deglutição). No 5º dia de internação a criança foi encaminhada à
cirurgia para colocação de dreno de tórax à direita onde este
oscilava pouco, porém sem débito. Após, este dia o dreno
apresentava-se sem oscilação e sem débito. No 11º dia de internação
e 6º pós-operatório de cirurgia para colocação de dreno torácico,
era feito a retirada do dreno de tórax. O RX mostrava pneumatocele á
direita com extensão no parênquima, havendo assim um aumento no
tamanho da pneumatocele. No 13º dia de internação, foram trocados
Oxacilina por Targocid 10mg/Kg e Cloranfenicol por Rocefin 1 grama 1
vez ao dia, os dois intramuscular. No 14º de internação, ao exame
clínico em bom estado geral (BEG), eupneica, respirando
espontaneamente em ar ambiente. À ausculta pulmonar murmúrio
vesicular presente diminuído em base de hemitórax direito com roncos
esparsos, porém já mostrava melhora radiológica. No 17º dia de
internação, a ausculta pulmonar apresentava-se com murmúrio
vesicular presente sem ruídos adventícios. Mantendo o quadro clínico
bom, a criança teve alta hospitalar e voltando posteriormente para
novo controle de RX, devido a presença de pneumatocele.
Discussão
O estafilococo atinge o pulmão, a partir da parte
superior do aparelho respiratório, pela via traqueobrônquica (1). Ao
alcançar brônquios ou bronquíolos, produz lesão na parede brônquica,
formando microabscessos. A drenagem espontânea destes microabscessos
pode ocorrer para dentro de um brônquio, vaso, pleura ou parênquima.
Desta forma, ocorrerá múltiplos focos no pulmão. Se a lesão for de
brônquio ou parede bronquiolar, através de mecanismo valvular, o ar
pode entrar no interstício pulmonar e dissecar as estruturas
frouxas, até atingir o espaço subpleural. (O mecanismo valvular
permite a entrada de ar na pneumatocele, mas impede seu retorno).
Tal condição gera cavidade cheia de ar, denominada pneumatocele
(8;7;5).
Em outras palavras, o estafilococo graças às suas
enzimas e toxinas tem capacidade de disseminar-se tão rapidamente
através dos tecidos vizinhos, como de provocar necrose. Após
atravessar a parede do bronquíolo terminal, o germe produz um
microabscesso peribronquiolar, que mais cedo ou mais tarde perfura o
bronquíolo e nele esvazia seu conteúdo, enchendo-o de ar. O orifício
bronquiolar funciona como uma válvula, insuflando os espaços aéreos
e transformando-os em vesículas com aspectos de grandes imagens
aéreas, conhecidas como pneumatoceles (12).
Evolução e Complicação
As pneumatoceles podem ser observadas durante a
evolução das pneumonias agudas, principalmente de origem
estafilocócica, embora possam ser vistas associadas a qualquer
agente etiológico (4;6).
Segundo Shen (13), as pneumatoceles aparecem
normalmente na primeira semana de pneumonia e desaparecem no prazo
de 6 semanas.
As pneumatoceles evoluem lenta e favoravelmente,
podendo atingir grandes tamanhos em poucas horas e inclusive ocupar
um pulmão inteiro, persistindo por tempo prolongado ou desaparecendo
rapidamente (desde que seja desfeito o mecanismo valvular) por
completo, em média um a quatro meses. A recuperação da função
pulmonar é total após o desaparecimento das pneumatoceles, não
deixando seqüelas clínicas ou radiológicas (14; 8; 13).
Silva (6), relata que a dimensão das
pneumatoceles pode ser considerável e sua evolução deve ser
acompanhada até completa resolução, que pode estender-se até por 6 a
12 meses.
Embora elas sejam assintomáticas, quando
instaladas podem aumentar consideravelmente e comprimir o pulmão,
causando insuficiência respiratória e complicação cardiovascular
(4;10).
Lima (7), explica que as cavidades (pneumatoceles)
tendem a confluir formando lesões que podem ganhar a pleura causando
o empiema (coleções purulenta entre os folhetos pleurais),
pneumotórax (ar entre os folhetos pleurais) ou piopneumotórax (ar e
pus no espaço pleural), ocorrendo concomitantemente colapso pulmonar
parcial ou total, acompanhado de desvio de mediastino, para o lado
sadio, nos processos hipertensivos.
Há casos em que podem ocorrer exsudato purulento
(abscesso pulmonar) pela forte tendência supurativa do processo. A
ruptura de um pequeno abscesso subpleural pode resultar em
piopneumotórax, que por sua vez pode provocar a erosão de um
brônquio, produzindo uma fístula broncopleural (7; 10).
Evolução radiológica
Segundo Lima (7), a radiologia convencional
pode-se transformar em valioso aliado para a proposta terapêutica ou
para a indicação de internação do paciente.
A radiografia de tórax é o exame mais
freqüentemente usado no diagnóstico e acompanhamento das
pneumatoceles, podendo estas ser únicas ou múltiplas (9;6).
A pneumonia estafilocócica quando produz danos
intensos no pulmão, tal como pneumatoceles, apresenta uma evolução
radiológica muito lenta. A evolução esperada para as pneumatoceles é
de aproximadamente 6 meses. Neste caso, não indicam atividade
infecciosa. (11;3).
Sua característica radiológica consiste em
mudanças súbitas de forma e tamanho em exames sucessivos (8). (Fig.
1 e 2)
As pneumatoceles podem atingir grandes volumes
ocupando todo o hemitórax. Por conterem liquido, assumem nas
radiografias aspecto de imagem hidroaérea, como um cisto de paredes
finas e bem delimitadas o que as confundem radiologicamente com
abscesso. Quando localizadas próximas à pleura, ao se romperem
provocam pneumotórax e empiema (12).
|
 |
 |
|
Fig 1. Radiografia de tórax
póstero-anterior. Criança de 1 ano e 8 meses de idade, apresentando
pequenas e múltiplas pneumatoceles em lobo médio direito. |
Fig 2. Radiografia de tórax póstero-anterior, 120 horas após. Observar o aumento das pneumatoceles em lobo médio direito. |
Segundo Tarantino (12) e Behrman (2), as
pneumatoceles isoladas, assintomáticas, podem permanecer durante
semanas ou meses. São fáceis de reconhecer como bolhas aéreas de
parede fina, rodeadas de parênquima normal. Não requerem nenhum
tratamento e não impedem a alta. Apenas deve-se proceder a controle
radiológico com intervalo de 1 a 2 meses.
Conclusão
As pneumatoceles fazem parte da evolução das
pneumonias bacterianas não sendo consideradas como complicação das
mesmas. Por serem, bolhas cheias de ar em seu interior e possuírem
paredes finas tornam-se uma doença de muitos cuidados, pois podem
levar a complicações, onde estas devem ser diagnosticadas pelo
pediatra e assim ser tratadas. Por outro lado, pneumatoceles
assintomáticas não exigem tratamentos, pois podem desaparecer sem
deixar seqüelas clínicas ou radiológicas.
Referências Bibliográficas
1. Bethlem, N. Pneumologia. 4ª ed. São Paulo:
Guanabara Koogan, 2001; 928.
2. Behrman RE, Kliegman RM, Jenson HB. Tratado de Pediatria. 16º ed.
Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002; 756-757.
3. Bourroul MLM, Bricks LF, Cocozza AM. Pneumonias Agudas. In:
Sucupira ACSL, Bricks LF, Kobinger MEBA, et al. Pediatria em
Consultório. 4º ed. São Paulo: Sarvier, 2000;256-63.
4. Fonseca CB, Rodrigues JC. Pneumonias Agudas e Complicações. In:
Reis AG., Grisi S. Manual de Pronto-socorro em Pediatria Clínica.
São Paulo: Atheneu; 1998; 213-24.
5. Grisi SJEF. Pneumonias Bacterianas. in: Rosov T. Doenças
Pulmonares em Pediatria- diagnóstico e tratamento. São Paulo:
Atheneu, 1999; 205-13.
6. Hoffmann A, Scattolin I. Pneumonias. In: Silva LCC. Condutas em
Pneumologia. Vol. 2. Rio de Janeiro: Revinter, 2001; 942-49.
7. Lima AJ. Pediatria Essencial. 5º ed. São Paulo: Atheneu, 1999;
344-46.
8. Marcondes E. Pediatria Básica. 8º ed. Vol 2. São Paulo: Sarvier,
1996.
9. Mastroti RA, Chiara NV. Clínica Cirúrgica e Urológica em
Pediatria- diagnóstico e conduta. São Paulo: Robe, 1997.
10. Mcgarry T, Giosa R, Rohman M. et al. Pneumatocele formation in
adult pneumonia. Chest 1987; v.92, n.4: 717-19.
11. MURAHOVSCHI J. Emergências em Pediatria. 7º edição. São Paulo:
Sarvier, 1997.
12. Sant´Anna CC , Pernetta C, March MFBP. Pneumonias na Infância.
In: Tarantino AB. Doenças Pulmonares. 5º ed. Rio de Janeiro:
Guanabara Koogan; 2002; 251-56.
13. Shen H-N, Lu, FL, Wu, H-D, et al. Management of tension
pneumatocele with high-frequency oscilatory ventilation. Chest
2002;v.121, n1: 284-86.
14. Zuhdi MK, Spear RM, Worthen H M, et al. Percutaneous catheter
drainage of tension pneumatocele, secondarily infected pneumatocele,
and lung abscess in children. Crit care med 1996; v.24, n.2: 330-
33.
|

|
Se você publicou ou escreveu algum artigo
relacionado à nossa área envie-nos que iremos divulgá-lo. |
|