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POSIÇÃO PRONA (Decúbito ventral)
Daniela Cristina Lago Miranda – Fisioterapeuta

E-mail: dwmiranada@uol.com.br



Histórico:

Desde a década de 70 vem sendo realizados e publicados estudos em pacientes e modelos experimentais com quadro de SARA utilizando a posição prona com o intuito de melhorar a oxigenação arterial.

Mecanismo de ação:

Os mecanismos pela qual a posição prona traz efeitos benéficos não estão bem elucidados.
Acredita-se que a mudança de decúbito promova uma melhor redistribuição das densidades pulmonares já que nos pacientes com SARA ocorre uma distribuição não homogênea da ventilação alveolar e do edema intersticial. Tal achado é comparado pelas tomografias computadorizadas de tórax que demonstram que as densidades estão mais localizadas nos níveis dorsais e basais de que nos níveis ventrais.
Assim, o principal mecanismo envolvido seria a redistribuição da ventilação para as áreas previamente atelectasiadas, tornando a troca gasosa mais efetiva, promovendo um melhor aproveitamento da distribuição uniforme da perfusão com conseqüente diminuição do shunt e melhora da homogeneidade da relação V/Q.

Indicação:

- Pacientes com SARA refratárias aos métodos convencionais de melhora da PaO2;
- PaO2 < 70 mmHg com administração de terapia por oxigênio por máscara;
- Pao2 é adequada mas a duração da exposição à alta FiO2 é excessiva ou a Peep é relativamente contra-indicada;
- Pao2 é inadequada (< 60mmHg) durante suporte ventilatório ideal;
- Indicado a drenagem postural das regiões pulmonares dorsais e o paciente não tolera outras posições que não a supina e a prona.

Contra-indicação:

- Instabilidade hemodinâmica;
- Arritmias ou risco iminente de parada cardio-respiratória;
- Sangramentos;
- Traumas torácicos.

Técnica de Posicionamento:

Administrar doses de sedação e analgesia ao paciente.
É necessário quatro membros da equipe: um na cabeça do paciente responsável pela manutenção das vias aéreas; outro encarregado das vias de acesso e administração de drogas e os outros dois para a mudança, primeiro em decúbito lateral e depois em prono.
Em prono, o paciente deve manter o tórax superior e a pelve suportada por travesseiros ou coxins, de modo que não impeça a protusão ventral do abdômen para que não ocorra o aumento da pressão intra-abdominal, e, portanto a limitação da descida do diafragma, limitando também o aumento da CRF. Com a expansão livre do diafragma a compressão pulmonar é anulada e, portanto, é possível ocorrer a expansão que permite maior volume de ar nos pulmões.

Resultados:

A maioria dos pacientes (>70%) teve aumento na PaO2 nos primeiros 30 minutos após a posição prona. Depois do retorno para a posição supina a PaO2 diminui, mas na média, permanece maior do que previamente à realização da mudança. Houve também uma melhora na complacência pulmonar.
O que provavelmente explica a persistência ou não dos efeitos e a reação à posição são os diferentes estágios e origens da SARA, envolvendo o grau de lesão pulmonar ou o mecanismo de reparação com fibrose pulmonar sem a possibilidade de recrutamento alveolar.

A PaCO2 e os parâmetros hemodinâmicos não apresentam alterações.

A posição prona melhora a oxigenação nos pacientes com SARA, porém seu uso rotineiro não altera a sobrevida. (Gattinoni e cols, Effect of prone positioning on the survival of patients with acute respiratory failure. N. Engl J Med 2001; 345: 568-573).
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